Música

As mulheres dominaram o rap nacional em 2025

Uma geração que rompeu desigualdades históricas e redefiniu o presente e futuro do hip-hop brasileiro.
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Vinícius

Redator

Nacional

O rap sempre foi um reflexo direto da sociedade, uma resposta ao que era visto nas ruas: suas dores, desigualdades, resistências e potências. Embora seja um gênero nascido para amplificar vozes marginalizadas, sua estrutura interna permaneceu, por décadas, profundamente marcada pelo domínio masculino. No Brasil, não foi diferente, mesmo com figuras essenciais como Kmilla CDD, Dina Di, Negra Li e tantas outras pioneiras, a disparidade entre homens e mulheres permaneceu evidente, seja em valorização artística, venda de shows, alcance de público ou números de streaming, especialmente no fim dos anos 2010, quando os dados de consumo escancaravam essa desigualdade.
Mas o cenário mudou. Nos últimos cinco anos, impulsionada pela pavimentação feita por artistas como Karol Conká, Drik Barbosa e Flora Matos, que enfrentaram um cenário de pouco protagonismo feminino, uma nova geração tomou de vez a linha de frente do rap nacional. Tasha e Tracie, Bivolt, Duquesa, Ajuliacosta, MC Luanna, Maru2D, Cristal, Ebony e várias outras não apenas ocuparam espaço, transformaram a cena com trabalhos elogiados, presença de palco e uma estética que combina técnica e autenticidade. Desde o ano passado, rapper femininas tem figuram entre os principais lançamentos e turnês do país, consolidando uma guinada histórica no gênero.

Essa virada tem sido marcada por projetos que não só dialogam com o presente, mas elevam o patamar artístico do rap brasileiro em uma era de tanta mediocridade no mainstream. Álbuns como “Diretoria”, de Tasha e Tracie, “PELE”, de N.I.N.A, “44”, de MC Luanna, e os dois volumes de “Taurus”, de Duquesa, foram amplamente celebrados por público e crítica, reafirmando a força criativa dessas artistas. Além de seu impacto musical, esses trabalhos oferecem narrativas profundas sobre vivências periféricas, afetos, autocuidado, raça e autonomia, temáticas essenciais que ampliam as possibilidades do rap enquanto linguagem cultural, principalmente do prisma feminino e negro.
O público, por sua vez, tem sido protagonista na consolidação desse movimento. Mulheres, especialmente jovens mulheres negras, encontram nessas artistas espelhos, inspirações e caminhos que antes não estavam tão visíveis para elas. Parte do público masculino também abraçou essa nova fase, reconhecendo sua potência artística e discursiva, em um país onde a representatividade ainda é conquista diária, ver mulheres negras ocupando palcos, festivais e paradas musicais com mensagens de empoderamento e liberdade é mais do que um avanço artístico, é uma necessidade social. Em 2025, o rap nacional vive seu momento mais plural, potente e feminino, e a cena, como mostram os últimos anos, é toda delas.

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