Ao longo de sua trajetória no Terreiro do Gantois, Mãe Carmen desempenhou papéis centrais desde sua juventude, absorvendo os ensinamentos de sua mãe, Mãe Menininha do Gantois, uma das ialorixás mais respeitadas da história do Candomblé, e também convivendo com sua irmã, Mãe Cleusa Millet. Após a morte de Mãe Cleusa, em 1997, foi Mãe Carmen quem assumiu, em 2002, o cargo de ialorixá do terreiro, dando continuidade à linhagem familiar que remonta às ancestrais fundadoras da casa. Com sabedoria e dedicação, ela guiou o Ilé Ìyá Omi Àse Ìyamáse (como é formalmente conhecido o terreiro) sendo guardiã dos saberes e práticas que preservam a ancestralidade africana no Brasil.
Mãe Carmen também foi reconhecida por sua influência cultural e religiosa. Recebeu a Medalha 2 de Julho pela Prefeitura de Salvador e o título de Grã Mestre Comendadora pelo Governo do Estado, além de ter sido agraciada com a Medalha da Diversidade Cultural da Unesco, reconhecimento pela preservação e promoção das tradições afro-brasileiras. Sua importância extrapolou o âmbito estritamente religioso, inspirando artistas, intelectuais e comunidades diversas, inclusive um álbum de homenagem, “Obatalá: uma Homenagem a Mãe Carmen”, reuniu músicos renomados nacionais em celebração à sua vida e ao Orixá Obatalá.