Cultura

Mãe Elzita, guardiã do Tambor de Mina no Maranhão

Matriarca foi referência na preservação dos rituais e na valorização da mediunidade feminina.
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Vinícius

Redator

Nacional

Mãe Elzita nasceu no Maranhão e construiu sua trajetória inteiramente ligada ao Tambor de Mina, tradição religiosa de matriz africana profundamente enraizada no estado. Iniciada ainda jovem, se formou espiritualmente em um ambiente marcado pela oralidade e pela responsabilidade coletiva que sustenta essa religião. Desde cedo, sua presença se destacou pela seriedade com que assumia os fundamentos do culto e pela dedicação à manutenção das práticas ancestrais, em um período em que os terreiros enfrentavam discriminação e pouca visibilidade pública.
Com o passar dos anos, Mãe Elzita foi virando uma liderança central do Tambor de Mina na região Norte, especialmente à frente do terreiro Fé em Deus. Reconhecida por sua autoridade religiosa, foi responsável por preservar rituais, cantigas e modos de organização que atravessaram gerações. Mãe Elzita não deixou filhos de santo homens, apenas mulheres, e mantendo a tradição da religião, ela trabalhava apenas com mediunidade feminina. Sua atuação ultrapassava os limites do terreiro, era frequentemente citada como referência quando se falava na história e na legitimidade do Tambor de Mina no Maranhão, sendo respeitada por outras casas, pesquisadores e instituições culturais.
Considerada a última matriarca do tambor de mina no estado, Mãe Elzita morreu aos 91 anos, no último dia 24. Sua morte marca o fim de um ciclo histórico, mas não interrompe a continuidade do legado que ajudou a consolidar. A trajetória de Mãe Elzita permanece associada à resistência das religiões de matriz africana e à valorização da figura feminina, além da preservação de um patrimônio imaterial fundamental para a cultura maranhense e brasileira.

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