A Lavagem do Bonfim tem origem no século XVIII e nasce da devoção ao Senhor do Bonfim, padroeiro da cidade, combinada a práticas de matriz africana que sobreviveram mesmo sob repressão. O gesto de lavar as escadarias da basílica com água de cheiro, realizado tradicionalmente pelas baianas, carrega sentidos que vão além do ato físico. Ao longo do tempo, o ritual deixou de acontecer dentro da igreja e passou a ocupar o espaço externo, se tornando uma celebração de fato pública.
Hoje, a festa mantém esse caráter simbólico ao mesmo tempo em que mobiliza a cidade em escala ampla. A programação inclui o cortejo, apresentações culturais e o encerramento com a lavagem das escadarias da Basílica do Senhor do Bonfim. Órgãos públicos montam esquemas especiais de transporte, trânsito e serviços, enquanto os participantes são orientados a se proteger do sol, usar roupas leves e se hidratar ao longo do trajeto, que a cada ano se mistura também com a programação da folia do início de ano em Salvador, precedendo a Festa de Iemanjá e o carnaval.