Música

Etta James: a trajetória da Última Rainha do Blues

O talento subestimado que ajudou a moldar o R&B, o soul e o rock.
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Vinícius

Redator

Global

Nascida em 25 de janeiro de 1938, em Los Angeles, Etta James (batizada como Jamesetta Hawkins) chegou ao mundo cercada por incertezas. Filha de uma jovem mãe solo e de um pai branco que nunca conheceu, cresceu em meio à instabilidade emocional e relações familiares marcadas por violência e abandono. A presença de padrastos abusivos e a falta de um ambiente seguro afetaram profundamente sua infância, deixando marcas que mais tarde se refletiriam em sua vida pessoal e artística. Desde cedo, Etta aprendeu a sobreviver sozinha.
Ainda criança, encontrou na música uma forma de refúgio, cantando em corais de igreja, teve aulas rígidas e, muitas vezes, abusivas, que moldaram sua potência vocal, mas também reforçaram traumas. Na adolescência, formou o grupo The Creolettes, que mais tarde se tornaria The Peaches, dando seus primeiros passos profissionais. Foi nesse período que gravou “The Wallflower”, resposta direta à canção “Work With Me, Annie”, e seu primeiro grande sucesso no R&B. Já sob o olhar atento da Chess Records, Etta passou a trabalhar com produtores e compositores fundamentais, como os irmãos Phil e Leonard Chess, além de figuras centrais da cena musical de Chicago, iniciando uma fase brilhante de sua carreira.

Na Chess, Etta James construiu alguns dos maiores marcos de sua trajetória. Canções como “At Last”, “Something’s Got a Hold on Me”, “Trust in Me” e “I’d Rather Go Blind” consolidaram sua voz como uma das mais expressivas da música negra norte-americana. O álbum “At Last!” (1960) virou o seu cartão de visita definitivo, atravessando gerações. No entanto, por trás do brilho, cresciam também os conflitos internos, a dependência de heroína e outras drogas passou a comprometer sua saúde, sua carreira e suas relações pessoais. As décadas de 1970 e 1980 foram especialmente turbulentas, marcadas pela ausência de grandes hits e constantes recaídas, Etta chegou a ficar internada em um hospital psiquiátrico por um ano e meio na época.
Mesmo no auge dos anos 1960, Etta James foi subestimada pelas grandes premiações e pela indústria, que muitas vezes não soube reconhecer plenamente sua grandeza. O reconhecimento mais amplo só veio a partir do fim dos anos 1980, com prêmios, homenagens, sua entrada no Rock and Roll Hall of Fame e o resgate de sua importância histórica. Hoje, sua influência é inegável e atravessa estilos e gerações, inspirando artistas como Diana Ross, Christina Aguilera, Janis Joplin, Brandy, The Rolling Stones, Rita Ora, Amy Winehouse e Adele. Neste 25 de janeiro, data em que Etta James completaria 88 anos, sua marca na história do que conhecemos como r&b, soul e rock and roll é inegável, não atoa é conhecida amplamente como A Última Rainha do Blues.

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