Cultura

A história de Nzinga, a rainha de Angola

A trajetória de uma líder que enfrentou impérios e redefiniu o poder na África Central.
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Vinícius

Redator

Global

Nzinga Mbandi nasceu no final do século XVI, em uma região que hoje é a Angola, marcada por disputas entre reinos africanos e pela expansão portuguesa ligada ao tráfico de pessoas escravizadas. Naquele período, os reinos de Ndongo e Matamba sofriam forte pressão militar e econômica. Desde jovem, Nzinga recebeu uma formação incomum para mulheres, aprendendo línguas, diplomacia, estratégia política e organização militar.
Apesar de sua qualificação, o trono foi ocupado por seu irmão, Ngola Mbandi, seguindo as tradições. Apesar das rivalidade entre os irmãos, Nzinga ocupou o posto de sua principal emissária. Em 1622, durante uma negociação em Luanda com o governador português João Correia de Sousa, ela se recusou a permanecer em pé por não lhe oferecerem uma cadeira. Para se colocar no mesmo nível do governante, ordenou que um de seus servos se ajoelhasse, sentando sobre suas costas, gesto que se tornou símbolo de sua autoridade.

Após a morte do irmão, Nzinga assumiu o poder e enfrentou diretamente o domínio português. Em 1624, firmou um tratado com Portugal que reconhecia temporariamente a soberania de Ndongo, garantindo a devolução de territórios e o fim de ataques militares. Embora tenha se convertido ao cristianismo como parte do acordo, sendo batizada como Ana de Sousa, os portugueses descumpriram o tratado pouco depois, retomando invasões e capturas. Diante disso, Nzinga reorganizou seu reino e buscou alianças estratégicas. Nos anos 1640, se aliou aos holandeses, que haviam ocupado Luanda, formando uma frente contra Portugal.
Ao longo de seu reinado, Nzinga foi referência de liderança feminina, inspirando futuras gerações, tornando a aceitação de mulheres no poder muito mais palpável para a época. Nas últimas décadas de vida, se dedicou à estabilização do reino, à reorganização administrativa e à mediação de conflitos regionais. Nzinga morreu em 1663, deixando um legado como diplomata, estrategista e símbolo duradouro de soberania e protagonismo feminino na história africana, lembrada como Mãe de Angola, ela é considerada uma das mulheres mais admiráveis história africana e possui uma estátua em Luanda.

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