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Mbappé revela ter pensado em deixar a seleção francesa após ataques racistas: “Se eu não marco, me chamam de macaco”

Após o pênalti perdido na Euro 2020, o atacante enfrentou uma onda de racismo que quase o afastou dos “Les Bleus”, mas decidiu permanecer como forma de resistência, postura que culminou em sua liderança e protagonismo na Copa do
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Vinícius

Redator

Global

O astro do futebol francês Kylian Mbappé revelou recentemente, em entrevista à revista Sports Illustrated, que considerou seriamente se aposentar da seleção da França após a Euro 2020 (disputada em 2021). O motivo principal não foi o desempenho técnico em si, mas o intenso abuso racial que sofreu após perder o pênalti decisivo na eliminação contra a Suíça, nas oitavas de final do torneio, em junho de 2021.
A decisão de continuar representando seu país não foi fácil e envolveu discussões profundas com sua família e com o presidente da Federação Francesa de Futebol, Noël Le Graët. Mbappé sentiu que a federação não o protegeu adequadamente dos ataques racistas que invadiram suas redes sociais e as arquibancadas. Naquele momento, o jogador sentiu que sua presença era vista como um “problema” para o elenco e para a torcida.

Em um dos trechos mais impactantes da entrevista, Mbappé explicou o que o fez mudar de ideia e decidir permanecer com os “Les Bleus”. Ele afirmou: “Eu disse: ‘Não posso jogar para pessoas que pensam que sou um macaco. Não vou jogar’. Mas depois, tomei um tempo para refletir com as pessoas que jogam comigo e me apoiam, e achei que não seria uma boa mensagem desistir. Porque eu acho que sou um exemplo para todos.”

O atacante destacou que sua permanência foi um ato de resistência e um compromisso com as novas gerações de franceses. Para ele, sair da seleção naquele contexto significaria dar vitória aos racistas. Ele sentiu que precisava mostrar ao mundo que, apesar de ser um dos principais alvos de ódio, ele ainda era um orgulhoso cidadão francês e um pilar fundamental da equipe nacional.
A volta por cima de Mbappé se consolidou na Copa do Mundo de 2022, no Catar, onde ele terminou como artilheiro da competição com oito gols, incluindo um histórico “hat-trick” na final contra a Argentina. Embora a França tenha ficado com o vice-campeonato, a resiliência de Mbappé reafirmou seu status como o novo líder da seleção, sendo posteriormente nomeado capitão da equipe pelo técnico Didier Deschamps em março de 2023.

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