Com cerca de 4,6 milhões de habitantes, o país localizado entre a América Central e a América do Sul construiu uma identidade marcada pela mistura de influências indígenas, europeias e africanas. Dados do censo de 2023 apontam que aproximadamente 31,7% da população se autodeclara afrodescendente, número que cresceu significativamente em relação à década anterior e que ajuda a explicar a forte presença de jogadores negros na seleção nacional. A maior concentração da população afro-panamenha está nas províncias de Colón, Bocas del Toro e em áreas da Cidade do Panamá, regiões historicamente ligadas ao desenvolvimento do futebol local.
A relação entre o Panamá e a população negra atravessa séculos. Os primeiros africanos chegaram ao território ainda durante o período colonial espanhol, enquanto uma segunda onda migratória veio do Caribe nos séculos XIX e XX para trabalhar na construção da ferrovia e, posteriormente, do Canal do Panamá. Dessa herança nasceram comunidades afro-caribenhas que influenciaram a música, a culinária, a língua e a vida urbana do país. Ritmos como reggae em espanhol, calipso e dancehall ganharam força no território panamenho e ajudaram a projetar artistas que se tornaram conhecidos em toda a América Latina.
Entre os nomes mais conhecidos da história recente do país estão o ex-jogador Julio Dely Valdés, um dos maiores ídolos do futebol panamenho, o cantor Sech, destaque da música urbana latina, e o lendário boxeador Roberto Durán, considerado um dos maiores pugilistas de todos os tempos. Na gastronomia, pratos como o sancocho (sopa preparada com frango, legumes e coentro) ocupam papel central na cultura nacional, ao lado de receitas influenciadas pelas tradições afro-caribenhas da costa atlântica.