Cultura

Professores negros perdem cargos na UFPE após Justiça anular nomeações por cotas

Decisão judicial questionou a aplicação da reserva de vagas e levou à perda dos cargos de dois docentes aprovados em concurso da universidade.
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Vinícius

Redator

Nacional

A Justiça Federal anulou as nomeações de dois professores negros aprovados em concurso da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) por meio das cotas raciais. Um dos casos envolve Allison Ruan de Morais Silva, doutor em Engenharia Química, que chegou a trabalhar por cerca de seis meses na universidade antes de perder o cargo. A decisão foi tomada após uma candidata aprovada na ampla concorrência questionar a aplicação da reserva racial a uma vaga única em determinada área. O entendimento adotado foi de que o percentual de vagas destinadas a cotistas deveria ser calculado considerando o concurso como um todo, e não cada área isoladamente. A UFPE afirmou que apenas cumpriu a determinação judicial, enquanto o recurso de Allison ainda está em análise.
O outro caso é o da médica Rafaela Niels, aprovada para uma vaga no Departamento de Medicina da Mulher da UFPE. Ela havia passado pelo concurso e pelo processo de heteroidentificação e tomou posse, mas teve a nomeação anulada cerca de um mês depois. Para assumir o cargo, que exigia dedicação exclusiva, Rafaela deixou dois empregos que mantinha anteriormente: era diretora-geral da Atenção Primária da Secretaria de Saúde de Pernambuco e coordenadora do curso de Medicina de uma faculdade filantrópica em Caruaru. Com a decisão judicial, ela ficou sem os vínculos profissionais anteriores e também sem o cargo para o qual havia sido nomeada.
“Em menos de um mês, eu me vi com uma mão atrás, outra na frente, com dois filhos para criar, um adolescente e uma criança pequena, sem ter a quem pedir ajuda”, afirmou Rafaela em entrevista ao g1. “Passei semanas chorando. Não durmo, não como e tenho tremores. Eu estava há 11 anos no outro emprego.”

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