Tv e Streaming

Os novos galãs da televisão brasileira

Em entrevista a Lista Preta, Lucas Leto e Humberto Morais revelaram quais foram suas primeiras referências de galãs negros na TV, suas aspirações e o que pensam deste novo momento na televisão.
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Alexandre Santana

Editor-chefe

Nacional

As telenovelas brasileiras vivem um momento de transformação importante: Cada vez mais, homens negros ocupam papéis de destaque, quebrando padrões que durante décadas privilegiaram um único tipo de representação masculina.

Esse movimento não apenas amplia a diversidade nas telas, mas também reforça a importância da representatividade em um dos canais de entretenimento mais influentes do país. A televisão aberta, ainda presente em milhões de lares, tem o poder de moldar imaginários, comportamentos e até sonhos, tornando essas mudanças algo muito significativo.

“A gente precisa de bons papeis, a gente precisa sim viver mocinhos, a gente precisa sim viver papeis que não estejam dentro de estereotipos, dentro de um campo que a gente já é muito representado na tv todos os dias.”

Lucas Leto
Nomes como Lucas Leto, Humberto Moraes, Juan Paiva, Samuel de Assis, Breno Ferreira, David Junior, Fabrício Boliveira e Amaury Lorenzo trazem frescor e pluralidade ao conceito de beleza e talento no audiovisual, mostrando que a presença masculina negra não é exceção, mas tendência. Essas figuras constroem personagens complexos, com histórias ricas e diversas, que escapam dos estereótipos historicamente associados a homens negros na TV.

Humberto e Lucas conversaram com a gente sobre esse momento:


Entrevista

Quais foram as suas referências de galã negro na televisão?

Humberto: Não tem como deixar de citar o Lázaro Ramos como uma referência de ator negro em papel de destaque e protagonismo. Reverencio todos outros que estiveram antes de mim justamente por fazerem essa abertura, mas Lázaro assumiu diversos papéis ao longo de sua carreia, inclusive em lugares onde os negros não eram vistos dentro de uma dramaturgia.

Lucas Leto: Eu acho que esse título de galã com atores negros é uma coisa que está sendo representada nos últimos anos, eu não lembro, assim, quando eu era criança, de ter, crescer e assistir, pelo menos no Brasil, um ator negro num papel de galã. Por outro lado eu tive referências positivas com relação a excelência em atuação e destaque, aí não posso deixar de falar dele que é o grande galã da minha vida, carreira e formação que é Lázaro Ramos.

Como você avalia esse novo momento da tv brasileira com homens negros em papéis de destaque e vivendo mocinhos?

Humberto: É muito positivo perceber que atores negros estão conquistando seus lugares, mas isso já deveria ter acontecido há muito mais tempo. Estamos atrasados com essa questão.

Lucas Leto: A gente precisa de boas referências e inspirações. Lembro que quando eu era criança só via um menino negro na TV que não estava num papel de vulnerabilidade que era o Sérgio Malheiros, eu acho que assistindo Sérgio Malheiros eu pensei em casa com minha avó em Pernambués em Salvador “Se esse menino que parece comigo ta aí eu também posso fazer isso”, então a importância de homens negros em papeis de destaque na tv brasileira é essa, de representar, de conseguir transformar outras realidades como a minha foi transformada. A gente precisa de bons papeis, a gente precisa sim viver mocinhos, a gente precisa sim viver papeis que não estejam dentro de estereotipos, dentro de um campo que a gente já é muito representado na tv todos os dias.

Humberto, ser encarado como um galã na tv impactou no seu processo de autoestima?

Um pouco, em certa medida me sinto mais atraente e desejado pelas pessoas, mas esse não é o meu foco. Eu quero fazer personagens que retratem a realidade, e que me tirem da zona de conforto, independente deles serem galãs ou não.

Lucas, você esperava essa recepção do público com seu último personagem, o Sardinha?

Com todos os públicos eu fiquei muito surpreso, porque geralmente a novela atinge um público específico. Mas essa novela atingiu todos os públicos e acho que é unânime… Todo mundo fala “eu quero ter um amigo como o Sardinha”. E eu fico muito feliz de ter conseguido construído esse personagem que o público assiste e quer ter do lado.

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