Cultura

21 de janeiro, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

O respeito às diferentes crenças como fundamento da convivência democrática.
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Vinícius

Redator

Nacional

A data foi instituída em memória de Mãe Gilda de Ogum, ialorixá baiana vítima de uma campanha de difamação e perseguição religiosa que culminou em sua morte, em 2000. O caso escancarou o impacto real do ódio religioso e impulsionou a criação da data como símbolo de resistência e memória. Com o tempo, ficou evidente que o termo “intolerância religiosa” nem sempre dá conta da complexidade das violências sofridas, especialmente pelas religiões de matriz africana. Daí a importância do conceito de racismo religioso, que reconhece que esses ataques estão diretamente ligados ao histórico de escravidão, marginalização e criminalização das práticas negras no Brasil.
Em 2014, a Prefeitura Municipal de Salvador instalou um monumento público em homenagem à mãe Gilda no Parque Metropolitano do Abaeté. De autoria de Márcia Magno, o monumento é um busto de 1,7 m de altura, dos quais 1,1 m corresponde à base. O local se tornou ponto de referência para o Dia Nacional de Luta contra a Intolerância Religiosa. Atualmente as religiões de matriz africana ainda enfrentam hostilidades e repressão, o que reforça a urgência de defender, na prática, o princípio constitucional do Estado laico, não apenas como neutralidade, mas como garantia ativa de que nenhuma religião, sobretudo aquelas historicamente perseguidas, seja tratada como alvo legítimo de violência.
O Brasil é, por força constitucional, um país laico. Ainda assim, é preciso marcar no calendário uma data específica que reafirma o óbvio: todas as crenças, e também a ausência delas, merecem respeito. O 21 de janeiro surge como um lembrete incômodo de que a liberdade religiosa, embora garantida em lei, segue sendo violada na prática. Em um país plural, onde diferentes expressões de fé coexistem há séculos, a intolerância insiste em sobreviver, demonstrando contradições profundas entre o texto constitucional e a realidade cotidiana.

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