Arte

Dos pãezinhos à fotografia: Romário Carva construiu uma carreira de sucesso

Autodidata, fotógrafo baiano é requisitado e construiu portfólio com muita disciplina.
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Vinícius

Redator

Nacional

Décadas atrás, muitos acreditavam que talentos eram dons concedidos por forças divinas. Hoje, aptidão, prática e dedicação ajudam a explicar por que algumas pessoas transformam habilidades em profissão. No caso de Romário Carva, a ironia está justamente no ponto de partida, pois foi na igreja que o fotógrafo descobriu o que faria pelo resto da vida.
A convicção, no entanto, encontrou resistência dentro de casa. Seu pai mantinha uma empresa de pães e salgados, Romário era o braço direito e ajudava no negócio da família, além de vender lanches na escola para juntar dinheiro. Quando decidiu comprar sua primeira câmera, ouviu uma resposta que nunca esqueceu: “Pra que você vai comprar uma câmera? Você nem sabe tirar foto”. A frase, que poderia desmotivá-lo, teve o efeito contrário. Aos 16 anos, usando o próprio dinheiro e escondido da família, adquiriu seu primeiro equipamento. Menos de um mês após comprar a câmera, seu pai faleceu. Mesmo assumindo responsabilidades na empresa familiar, Romário não abandonou a fotografia, e nos anos seguintes conciliou o trabalho com ensaios, aniversários, batizados e os registros que fazia na própria igreja.

Os primeiros clientes vieram naturalmente. Familiares, amigos e pequenos eventos deram lugar a influenciadores e trabalhos de alcance regional. Até que a atriz Cleo Pires entrou em contato para contratá-lo diretamente. Depois disso, a lista cresceu. Fotografou Anitta, Ivete Sangalo, Leo Santana, Maiara & Maraisa, Baco, e participou de campanhas da Nike, Renner e Lacoste, festivais como o Rock in Rio e trabalhos com nomes da moda e do entretenimento, como Mariana Ximenes e Carol Trentini.
Aos 24, Romário acredita que sua maior conquista não é o currículo, mas o reconhecimento da própria linguagem visual. Se antes os clientes perguntavam se ele conseguiria reproduzir a estética de outros fotógrafos, agora o procuram justamente pela identidade que desenvolveu ao longo dos anos. Sua trajetória também carrega outras camadas: negro, gay, criado longe da mãe e tendo enfrentado conflitos entre sua identidade e os dogmas religiosos que marcaram a juventude, Romário precisou lidar com desafios que iam muito além da fotografia.

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