Cultura

André Rebouças: o engenheiro que projetou o Brasil

O homem que ajudou a construir o Brasil moderno e enfrentou a escravidão.
Picture of Vinícius

Vinícius

Redator

Nacional

No dia 13 de janeiro de 1838, nascia em Cachoeira, na Bahia, André Pinto Rebouças, um dos maiores engenheiros e intelectuais da história do Brasil. Filho de um advogado mulato altamente respeitado e de Carolina Pinto Rebouças, André venceu as barreiras de uma sociedade marcada pela desigualdade racial para ser o primeiro engenheiro negro formado pela prestigiada Escola Militar do Rio de Janeiro e um dos principais nomes da engenharia civil e militar do século XIX no país. Ele ganhou destaque ao resolver problemas críticos de abastecimento de água no Rio de Janeiro, trazendo água de mananciais distantes para a cidade, além de projetar ferrovias e modernizar portos essenciais para a integração e o desenvolvimento nacional. Durante a Guerra do Paraguai, também demonstrou sua habilidade ao desenvolver um tipo de torpedo e aplicar sua formação em contextos de batalha.

Mais do que um engenheiro brilhante, Rebouças foi um visionário social e um dos líderes do movimento abolicionista brasileiro. No final da década de 1880, ele contribuiu ativamente para a criação da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, ao lado de Joaquim Nabuco, José do Patrocínio e outros, e participou da Confederação Abolicionista, organizações que foram fundamentais para pressionar o fim da escravidão no Brasil. Seu trabalho não se limitou a protestos, ele escreveu manifestos, usou jornais para divulgar ideias e ajudou a moldar o discurso público que culminou na assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888, abolindo legalmente o sistema escravocrata no país.

Apesar de sua importância, a proclamação da República em 1889 levou Rebouças ao exílio junto com a família imperial. Viveu em Lisboa, depois em Luanda e finalmente em Funchal, na Ilha da Madeira, onde faleceu em 1898. Seu legado, entretanto, está visível em todo o país: ruas, túneis e outras homenagens no Brasil levam seu nome. Em outubro de 2024, o presidente Lula sancionou a lei que inscreveu o nome de André no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, reconhecendo não só sua contribuição técnica para a infraestrutura, saneamento e ferrovias, mas também sua luta incansável por justiça social e igualdade.

Buscar