Cultura

Antonieta de Barros, a primeira deputada estadual negra eleita no Brasil

Educadora, jornalista e pioneira na política brasileira, Antonieta de Barros dedicou sua trajetória à defesa da educação pública, dos direitos das mulheres e da igualdade racial.
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Vinícius

Redator

Nacional

Nascida em 1901, Antonieta de Barros acumulou pioneirismos ao longo da vida. Primeira deputada estadual negra eleita no Brasil e primeira mulher a ocupar uma cadeira no Parlamento de Santa Catarina, ela precisou ocupar espaços sem ter uma referência, criou um caminho inédito.
Antonieta nasceu apenas 13 anos após a abolição da escravidão. Sua mãe, Catarina, havia sido escravizada e sustentava a família como lavadeira, além de administrar uma pequena pensão para estudantes. Foi nesse ambiente que Antonieta teve acesso aos livros e descobriu na educação um caminho para transformar sua realidade. Ainda muito jovem, se formou professora e, aos 17 anos, fundou um curso voltado à alfabetização de adultos e pessoas de baixa renda. Também se destacou como jornalista e cronista, escrevendo por mais de duas décadas em diversos jornais, muitas vezes sob o pseudônimo Maria da Ilha. Em seus textos, defendia a educação pública, os direitos das mulheres, a valorização do magistério e denunciava injustiças sociais.

Eleita deputada estadual em 1934 e novamente em 1947, participou da elaboração da Constituição catarinense e apresentou projetos voltados ao fortalecimento do ensino público, à concessão de bolsas de estudo e à valorização dos professores. Seu projeto que instituiu o Dia do Professor em Santa Catarina, em 1948, serviu de referência para a criação da data em âmbito nacional anos depois.

Antonieta morreu precocemente, aos 50 anos, em 1952. Nas décadas seguintes, sua história foi sendo gradualmente apagada da memória oficial, reflexo do racismo e da invisibilização de intelectuais negros. Somente a partir do fim dos anos 1990, pesquisas acadêmicas, movimentos sociais e educadores passaram a resgatar sua trajetória, gerando a criação de biografias, homenagens e a inclusão de sua obra no debate público.
Até 2012, Antonieta permaneceu como a única pessoa negra a ocupar um mandato no Parlamento catarinense, comprovando o tamanho de seu feito ainda no século XX.

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