Mas o cenário mudou. Nos últimos cinco anos, impulsionada pela pavimentação feita por artistas como Karol Conká, Drik Barbosa e Flora Matos, que enfrentaram um cenário de pouco protagonismo feminino, uma nova geração tomou de vez a linha de frente do rap nacional. Tasha e Tracie, Bivolt, Duquesa, Ajuliacosta, MC Luanna, Maru2D, Cristal, Ebony e várias outras não apenas ocuparam espaço, transformaram a cena com trabalhos elogiados, presença de palco e uma estética que combina técnica e autenticidade. Desde o ano passado, rapper femininas tem figuram entre os principais lançamentos e turnês do país, consolidando uma guinada histórica no gênero.
Essa virada tem sido marcada por projetos que não só dialogam com o presente, mas elevam o patamar artístico do rap brasileiro em uma era de tanta mediocridade no mainstream. Álbuns como “Diretoria”, de Tasha e Tracie, “PELE”, de N.I.N.A, “44”, de MC Luanna, e os dois volumes de “Taurus”, de Duquesa, foram amplamente celebrados por público e crítica, reafirmando a força criativa dessas artistas. Além de seu impacto musical, esses trabalhos oferecem narrativas profundas sobre vivências periféricas, afetos, autocuidado, raça e autonomia, temáticas essenciais que ampliam as possibilidades do rap enquanto linguagem cultural, principalmente do prisma feminino e negro.