Cinema

Cineasta Marie Clémentine Dusabejambo vence prêmio em Cannes com primeiro filme de Ruanda na história do festival

O longa “Ben’Imana” aborda o processo de reconciliação em Ruanda após o genocídio de 1994 e levou mais de dez anos para ser desenvolvido, misturando ficção e relatos reais de moradores locais.
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Vinícius

Redator

Global

A conquista da cineasta Marie Clémentine Dusabejambo no Festival de Cannes de 2026 representa um dos marcos mais importantes da história recente do cinema africano. Ao receber a prestigiada Câmera de Ouro por seu longa-metragem de estreia, “Ben’Imana”, ela não apenas garantiu um prêmio de prestígio internacional, mas também gravou o nome de Ruanda de forma inédita na Seleção Oficial do festival mais importante do mundo.
Antes de realizar este projeto, Dusabejambo atuava na área de engenharia de telecomunicações e havia dirigido os curtas-metragens Lyiza (2011) e A Place for Myself (2016), ambos premiados em festivais do continente africano.

O drama foi exibido na mostra “Un Certain Regard” e aborda o processo de reconciliação pós-genocídio. Ambientada no ano de 2012, a trama acompanha uma mulher que lidera mediações comunitárias entre vítimas e perpetradores do massacre de 1994, enfrentando um dilema moral quando a crise atinge seu núcleo familiar. A produção levou mais de uma década para ser desenvolvida e mesclou atrizes profissionais com moradoras das locações reais em Ruanda, incorporando relatos e memórias locais ao roteiro de ficção.
A cinematografia utiliza as paisagens geográficas de Ruanda, região conhecida como a “Terra das Mil Colinas”, como elemento central da narrativa visual. A direção de fotografia priorizou planos fechados e enquadramentos centralizados nos personagens para conduzir a perspectiva do espectador. Com a premiação em Cannes, o filme obteve distribuição internacional e inseriu a cinematografia contemporânea do leste africano no circuito comercial e de premiações globais.

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