Música

Com homenagem à Preta Gil e diversas participações, Gilsons lançam novo álbum

“Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão”, segundo disco do trio formado por José, João e Francisco Gil, mistura raízes da MPB, novas texturas sonoras e reúne convidados como Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Julia
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Vinícius

Redator

Nacional

Lançado ontem (3), “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão” marca uma nova etapa na trajetória dos Gilsons. O segundo álbum de estúdio do trio formado por José, João e Francisco Gil revela um momento de amadurecimento artístico e emocional, ampliando o horizonte sonoro do grupo sem perder de vista suas raízes. Entre herança familiar, experimentação contemporânea e forte carga afetiva, o disco apresenta um olhar mais amplo sobre a própria história do trio e reafirma a identidade que os consolidou na nova geração da MPB.

O trabalho também ganha dimensão coletiva com participações que expandem esse universo musical. Entre os convidados estão Arnaldo Antunes, Narcizinho (Olodum), Julia Mestre, a multi-instrumentista gambiana Sona Jobarteh e a família Veloso — Caetano, Moreno e Tom. A presença desses artistas dialoga com a proposta do álbum, que mistura tradição e novos caminhos sonoros. A chegada do disco também inaugura uma nova fase nos palcos: os Gilsons já anunciaram a turnê mundial “Eu Vejo Luz”, prevista para 2026, com mais de 30 apresentações no Brasil e no exterior.

Sonoramente, o álbum se constrói a partir de uma dualidade complementar. De um lado estão canções que preservam a identidade já reconhecida do trio, com violões, harmonias solares e referências profundas na MPB; de outro, faixas que exploram novos territórios, com texturas eletrônicas sutis, beats e camadas rítmicas que ampliam o espectro da banda. A produção musical assinada por José Gil aposta no equilíbrio entre o toque humano das gravações em estúdio e novas possibilidades de arranjo, criando um trabalho que atravessa temas como mistério, natureza, espiritualidade e os milagres da existência.

O processo de criação do disco foi atravessado por um período delicado para o grupo, marcado por luto, turnês intensas e um fortalecimento ainda maior dos laços familiares. Esse contexto transformou o álbum em um espaço de elaboração e cura, perceptível em faixas como “Visão”, “Semeia”, “Bem Me Quer”, “Minha Flor”, “Vai Chover” e “Se a Vida Pede”. Mais do que um registro musical, o projeto funciona como um gesto de continuidade. Como definem os próprios Gilsons, o disco nasce da decisão de seguir em frente — reconhecendo a escuridão, mas escolhendo olhar para a luz.

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