Esportes

Com seleção majoritariamente negra, a população afro-panamenha representa pelo menos 31% dos habitantes do país

Herança africana molda a cultura, a música e o esporte no Panamá, que vive a fase mais importante de sua história no futebol e se consolida como uma das principais forças da Concacaf.
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Vinícius

Redator

Global

A Seleção Brasileira goleou o Panamá no amistoso de ontem por 6 a 2, no Maracanã, em um jogo que serviu como preparação para a Copa do Mundo de 2026. Apesar da diferença técnica refletida no placar, a partida também colocou em evidência uma seleção que, nos últimos anos, passou a ocupar espaço cada vez maior no futebol internacional. Classificado para o Mundial e presença constante nas fases decisivas da Concacaf, o Panamá vive o período mais relevante de sua história no esporte.
Com cerca de 4,6 milhões de habitantes, o país localizado entre a América Central e a América do Sul construiu uma identidade marcada pela mistura de influências indígenas, europeias e africanas. Dados do censo de 2023 apontam que aproximadamente 31,7% da população se autodeclara afrodescendente, número que cresceu significativamente em relação à década anterior e que ajuda a explicar a forte presença de jogadores negros na seleção nacional. A maior concentração da população afro-panamenha está nas províncias de Colón, Bocas del Toro e em áreas da Cidade do Panamá, regiões historicamente ligadas ao desenvolvimento do futebol local.

A relação entre o Panamá e a população negra atravessa séculos. Os primeiros africanos chegaram ao território ainda durante o período colonial espanhol, enquanto uma segunda onda migratória veio do Caribe nos séculos XIX e XX para trabalhar na construção da ferrovia e, posteriormente, do Canal do Panamá. Dessa herança nasceram comunidades afro-caribenhas que influenciaram a música, a culinária, a língua e a vida urbana do país. Ritmos como reggae em espanhol, calipso e dancehall ganharam força no território panamenho e ajudaram a projetar artistas que se tornaram conhecidos em toda a América Latina.

Entre os nomes mais conhecidos da história recente do país estão o ex-jogador Julio Dely Valdés, um dos maiores ídolos do futebol panamenho, o cantor Sech, destaque da música urbana latina, e o lendário boxeador Roberto Durán, considerado um dos maiores pugilistas de todos os tempos. Na gastronomia, pratos como o sancocho (sopa preparada com frango, legumes e coentro) ocupam papel central na cultura nacional, ao lado de receitas influenciadas pelas tradições afro-caribenhas da costa atlântica.
O crescimento do futebol acompanha mudanças sociais mais amplas. Se por décadas o beisebol foi apontado como principal paixão esportiva do país, a classificação inédita para a Copa do Mundo de 2018 acelerou a popularização da modalidade e ampliou o investimento em categorias de base. Hoje, a seleção panamenha funciona como um retrato de parte importante da sociedade local, afinal é um país pequeno em população, marcado pela miscigenação, pela presença afrodescendente e por uma identidade construída a partir do encontro entre diferentes povos que passaram pelo istmo que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico.

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