Cultura

Dia de Yemanjá mistura fé, celebração e ancestralidade

A espiritualidade que se renova nas águas da capital da Bahia.
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Vinícius

Redator

Nacional

No dia 2 de fevereiro é celebrado o Dia de Yemanjá, dedicado à orixá do mar e figura central no panteão do candomblé e da umbanda. Originária da tradição iorubá, Yemanjá é associada às águas salgadas, à fertilidade, à maternidade e à proteção de pescadores e famílias, atributos que a tornaram uma das divindades mais reverenciadas no Brasil, especialmente nas regiões de forte presença afro-brasileira.
Salvador, capital da Bahia, possui uma relação histórica profunda com as religiões de matrizes africanas, reflexo da formação cultural e demográfica da cidade desde o período colonial. O candomblé e outras tradições afro-brasileiras se consolidaram entre comunidades descendentes de povos africanos trazidos ao Brasil, formando práticas sincréticas e rituais que resistem até hoje como expressões de fé e ancestralidade.

A escolha de 2 de fevereiro para a celebração aconteceu no início do século XX, quando pescadores do bairro do Rio Vermelho em Salvador passaram a fazer oferendas à Rainha do Mar em busca de fartura e proteção, inicialmente em resposta à escassez de peixes, se tornando ao longo das décadas uma festa anual. Com o tempo, essa data acabou se firmando como o principal momento de veneração pública à orixá na capital baiana, mantendo um rito que combina devoção e festa popular.
No dia 2 de fevereiro, milhares de devotos e visitantes se reúnem no bairro do Rio Vermelho, próximo à Casa de Iemanjá, vestidos de branco e acompanhados por música, tambores e cantos. O ponto alto é o lançamento de oferendas, como flores, perfumes e objetos simbólicos, nas águas do mar, em um gesto de agradecimento e pedido de bênçãos para o ano que se inicia. Ao longo de todo o dia, a região fica lotada, e a tradição já é parte integrante do calendário de celebrações que começam logo no início do ano e seguem até o Carnaval.

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