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Documentário da Netflix revisita ‘America’s Next Top Model’ e expõe bastidores marcados por racismo e abusos

Nova série “Reality Check” traz depoimentos de ex-participantes e reabre o debate sobre representatividade, humilhações públicas e padrões raciais impostos pelo reality criado por Tyra Banks.
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Vinícius

Redator

Global

Embora “America’s Next Top Model” tenha sido frequentemente apontado como um reality à frente de seu tempo em termos de representatividade, com alta presença de candidatas negras e diversas finalistas e vencedoras ao longo dos ciclos, a nova série documental da Netflix propõe uma reflexão sobre o custo dessa visibilidade. Eva Marcille, vencedora de uma das temporadas, afirmou ter ficado “incrivelmente horrorizada” ao rever alguns relatos, ainda que reconheça a importância do espaço que o programa abriu para mulheres negras na indústria.

Em “Reality Check: Inside America’s Next Top Model”, a produção revisita situações que hoje soam ainda mais problemáticas. Entre elas, ensaios acusados de recorrer ao blackface e episódios como o de Jaeda Nichole, incentivada a beijar um modelo que declarou não gostar de mulheres negras e posteriormente eliminada após demonstrar desconforto. Ebony Haith também relembra comentários depreciativos sobre seu cabelo natural, feitos diante das câmeras sem que houvesse qualquer intervenção da equipe.

Criado e apresentado por Tyra Banks, o programa marcou profundamente a cultura pop dos anos 2000, alimentando o sonho de uma geração que via na passarela uma promessa de ascensão. Mas, por trás do glamour, a docussérie revela um ambiente atravessado por humilhações, padrões raciais rígidos e dinâmicas que hoje são amplamente questionadas.

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