Cultura

Festa da Boa Morte reúne milhares de fiéis e celebra cultura afro-brasileira em Cachoeira

Tradição centenária do Recôncavo Baiano levou cerca de 100 mil pessoas à cidade durante dois dias de celebrações.
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Vinícius

Redator

Nacional

A Festa da Boa Morte reuniu cerca de 100 mil pessoas em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, durante os dois principais dias da celebração, 14 e 15 de agosto. Organizado pela Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, o festejo chegou à sua edição de 2026 mantendo uma tradição com mais de dois séculos de história, marcada pela união entre elementos do catolicismo e das religiões de matriz africana. A programação começou no dia 13 e foi encerrada ontem (17), com caruru e samba de roda.


Ao longo dos dias, a cidade recebeu procissões, missas, alvoradas, cortejos e apresentações culturais. Entre os destaques deste ano estiveram a reinauguração do Memorial da Irmandade da Boa Morte, que passou a abrigar a exposição “Senhoras da Liberdade”, e a realização, pela primeira vez, de apresentações em um palco montado próximo à sede da irmandade. A programação também contou com um tributo aos Tincoãs, com a cantora Ana Paula Albuquerque, e apresentação de Gerônimo Santana.

Mantida historicamente por mulheres negras, a Irmandade da Boa Morte tem sua trajetória ligada à resistência da população negra e à luta pela liberdade durante o período da escravidão. Registros apontam a presença do grupo em Salvador desde o início do século XIX, antes da transferência para Cachoeira, onde a tradição se consolidou. Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia desde 2010, a festa segue como uma das principais manifestações religiosas e culturais afro-brasileiras do estado.

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