“Formation” antecipava o tom de “Lemonade” e funcionava como uma espécie de síntese do projeto. No clipe, Beyoncé escolhe Nova Orleans como cenário principal, retomando as marcas deixadas pelo furacão Katrina, em 2005, quando grande parte da cidade ficou submersa e a população negra foi duramente afetada pelo abandono do poder público. As imagens iniciais, com casas alagadas e um carro de polícia afundando, colocam essa memória no centro da narrativa.
Ao longo do vídeo, aparecem referências diretas à cultura local, como os Mardi Gras Indians, cenas em igrejas, festas de bairro e encontros familiares. Esses registros mostram uma comunidade viva, diversa e organizada, em contraste com a forma como foi historicamente invisibilizada. Em outro momento, um menino encara policiais com as mãos levantadas, ecoando o slogan “Hands Up, Don’t Shoot”, associado aos protestos após a morte de Michael Brown.
Na letra, Beyoncé afirma suas origens, menciona o Alabama e a Louisiana, valoriza o cabelo da filha e fala sobre trabalho, ambição e autonomia. Um olhar superficial enxergaria ostentação e autoafirmação, mas o impacto de uma artista como Beyoncé com esse posicionamento tem muito mais relevância, é colocar a experiência negra como central, legítima e digna de reconhecimento.