Cultura

Ícone da Mangueira, Tia Suluca é mais velha que a própria escola

Aos 99 anos, presidente de honra da ala das baianas mantém viva a memória do samba e atravessa gerações como símbolo da escola.
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Vinícius

Redator

Nacional

Arlete da Silva Fialho, a eterna Tia Suluca, é dessas figuras que se confundem com a própria história da Estação Primeira de Mangueira. Aos 99 anos, ela é mais velha que a escola, que caminha para seus 98. Nascida e criada no morro, ela começou a desfilar ainda criança, nos anos 1930, e nunca mais se afastou do samba. Presidente de honra da ala das baianas, carrega no olhar e na memória décadas de carnavais.

Suluca foi “saliente no samba”, como gosta de lembrar, requebrava sem cerimônia. Hoje, samba “só um cadinho”, porque o corpo cobra seu preço, mas não abandona os ensaios nem as tradicionais feijoadas na quadra. Vaidosa, aparece sempre bem arrumada, unhas postiças e coloridas, marcando presença como quem sabe o tamanho do seu legado. Tia Suluca é irmã do lendário mestre-sala Delegado e conviveu com nomes como Dona Zica, Dona Neuma e Cartola nos tempos do Buraco Quente, reduto histórico do samba na comunidade.

Há alguns anos, Tia Suluca decidiu deixar a saia rodada da ala das baianas depois de enfrentar o peso excessivo de uma fantasia, mas jamais se afastou da escola. “Nasci em Mangueira. Meu divertimento é a Mangueira. Minha paixão é aqui”, costuma dizer. Na Sapucaí, ela continua se emocionando, sabendo que é a própria memória viva da Mangueira.

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