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Por que o Super Bowl do Bad Bunny é tão importante neste momento?

Entre sucesso global e tensões migratórias nos EUA, apresentação transforma o show em ato político
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Vinícius

Redator

Global

Desde sua ascensão meteórica no cenário global, Bad Bunny construiu uma carreira marcada por acertos estratégicos, hits contagiantes e uma enorme habilidade de atravessar gêneros. Com singles que dominaram charts mundiais, álbuns coesos como “Un Verano Sin Ti” e “X 100PRE”, e feats com artistas de diferentes vertentes, o cantor porto-riquenho não só consolidou sua presença no mainstream, como a redefiniu. Sua trajetória teve um novo ápice recentemente com o Grammy 2026 de Álbum do Ano por “Debí Tirar Más Fotos”, um feito histórico, pois pela primeira vez um trabalho predominantemente em espanhol conquistou a categoria mais prestigiosa da premiação, e em um contexto social e político extremamente delicado nos Estados Unidos.

O Super Bowl ganhou um novo peso simbólico desde que Jay-Z assumiu o comando criativo do show do intervalo, transformando o evento esportivo em uma plataforma cultural de alcance enorme. O espetáculo, que já era o mais assistido da TV norte-americana, passou a ser também uma vitrine para narrativas que vão além da música, incorporando debates sociais e questões de representação.

A escolha de Bad Bunny para o Super Bowl 2026 chega em um momento em que políticas agressivas de imigração dominam a agenda dos EUA, especialmente sob a administração Trump, que tem retomado medidas que afetam diretamente comunidades latinas, sobretudo as porto-riquenhas. A presença de Bad Bunny, artista que carrega no corpo e na voz as experiências de uma diáspora muitas vezes marginalizada, não é apenas um marco artístico, mas um gesto político. Em um país onde imigrantes enfrentam cerco institucional, ele se posiciona como uma figura de visibilidade global, celebrando raízes culturais e exigindo respeito em um dos momento mais tensos para ser imigrante latimo nos EUA.

A repercussão já ecoa para além da música: Trump chegou a criticar duramente sua participação, e a confirmação de agentes de imigração no evento gerou ainda mais tensão. Para muitos, esta edição do Super Bowl não será apenas sobre performance, será um momento de embate artístico contra a máquina do estado, durante uma audiência recordista. É a convergência entre espetáculo, identidade cultural e conflito político, mostrando que, hoje mais do que nunca, a música pode ser um poderoso instrumento de expressão e mudança.

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