Os protagonistas desse levante histórico ficaram conhecidos como “malês”, africanos muçulmanos, em sua maioria das etnias nagô e hauçá, que preservavam sua fé e sua cultura. Muitos eram alfabetizados em árabe e mantinham sistemas para ensinar outros negros a ler e escrever. A revolta foi articulada por cerca de 600 participantes, liderados por Ahuna, Pacífico Licutan, Sule, Dassalu, Gustar, Manoel Calafete, Luís Sanim e Elesbão do Carmo, conhecido como Dandará. O objetivo era lutar contra a escravidão, defender a liberdade religiosa, conquistar autonomia e, segundo registros históricos, também libertar Pacífico Licutan, preso cerca de dois meses antes.
Na madrugada de sábado para domingo (25 de janeiro), os malês saíram às ruas vestidos de branco e portando amuletos religiosos. O plano, porém, foi comprometido após denúncias às autoridades, que se anteciparam e organizaram a repressão. Confrontos ocorreram em diferentes pontos da cidade, mas a reação foi rápida e violenta. Sem apoio externo e enfrentando forças superiores, o movimento foi derrotado em poucas horas. O saldo foi trágico: dezenas de mortos, centenas de presos, punições com açoites, deportações e a execução de quatro envolvidos.