Ao longo do ensaio, ela aponta que essa leitura europeizada não é ingênua. Existe um movimento constante de negar ou suavizar a contribuição africana e indígena, mesmo quando ela está presente em tudo, desde a língua até o modo de viver. Esse mecanismo aparece como uma espécie de “apagamento consciente”, que ajuda a sustentar a ideia de harmonia racial. A amefricanidade surge justamente como resposta a isso: uma forma de nomear o que foi escondido e, ao mesmo tempo, reorganizar o olhar sobre a história.
Outro ponto importante no texto é que Gonzalez não fala apenas de origem, mas de processo. Para ela, a cultura nas Américas foi sendo construída em meio a conflitos, adaptações e reinvenções constantes. A experiência da diáspora africana, somada às vivências indígenas, produziu novas formas de existir, pensar e resistir. É por isso que ela usa a ideia de “Améfrica Ladina”, pois um território que não pode ser entendido por fronteiras políticas, e sim por experiências compartilhadas.