Como você enxerga esse movimento de rappers femininas fazendo sucesso no Brasil atualmente?
R: É um movimento de muita luta. O rap é um só, não existe rap feminino ou masculino, é o movimento hip-hop com toda a sua história e cultura. As mulheres estão dominando esse espaço graças a outras que abriram portas para que hoje possamos ocupar palcos como Rock in Rio e Lollapalooza, fazer turnês internacionais, publicidade e levantar essa bandeira com força, entregando conceito, balé, looks e um trabalho muito profissional.
Ainda assim, não estamos totalmente inseridas nos festivais, muitas vezes há só uma mulher no line-up, e não recebemos os mesmos cachês que os homens. Apesar do reconhecimento crescente, seguimos na luta por direitos iguais. Somos artistas, fazemos nossa arte, e merecemos as mesmas condições.
Você é artista desde criança. Como foi crescer sob os holofotes e o que mudou desde então?
R: Para mim sempre foi maravilhoso, porque eu sempre gostei de holofote. Desde criança queria ser tudo, atriz, modelo, jogadora, médica, mas sempre sendo cantora. Quando decidi isso, qualquer lugar virava palco: no ponto de ônibus, em cima de uma caixa d’água, eu cantava, dançava, imaginava o público, mandava beijo, interagia. Minha mãe até colocava bonecas para eu cantar como se fosse um show.
Mesmo assim, vivi minha infância normalmente. Nunca deixei a escola de lado, terminei o ensino médio e hoje faço faculdade. Brincava de tudo, participava das festas, vivia cada fase. Era uma criança com um sonho que já estava sendo realizado.
Cite 3 referências musicais importantes.
R: Primeiro a Beyoncé, né? A gente nunca pode deixar de falar dela como referência para todas as mulheres pretas e também em show. Eu me inspiro bastante na performance dela. Então Beyoncé é minha referência em shows.
Em estilo é a Rihanna, tem looks que se ela coloca no corpo você sabe que fica da hora. Os álbuns também, quase todos os álbuns dela tem mais de 3 hits, pelo menos. É bilionária, empresária, tem marca de roupa, de maquiagem e ainda é pisciana igual a mim.
E para fechar eu acho que eu sou minha própria referência, sabe? Gosto muito da forma que eu me importo com meu trabalho, eu comecei desde criança, tive minha fase pré-adolescência, minha fase adulta e mesmo assim consegui fazer meu público acompanhar essa minha trajetória. Tive meu álbum “Rapper”, tive o “It Girl” e agora lancei o “Soffisticada”.