Cultura

4 anos do tapa que quase custou a carreira de Will Smith

Do confronto com Chris Rock ao processo de retorno a grandes produções em Hollywood, o episódio de 2022 ainda ecoa na indústria e na imagem do ator.
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Vinícius

Redator

Global

A noite do Oscar 2022 caminhava para seu desfecho quando um episódio inesperado marcou a cerimônia e a colocou entre as mais comentadas da história. Ao apresentar uma categoria, Chris Rock fez uma piada sobre o visual de Jada Pinkett, comparando-a à personagem de “G.I. Jane”. A fala abordava justamente a alopecia, condição que Jada já havia tornado pública. Na plateia, Will Smith reagiu primeiro com um riso contido, claramente desconfortável.
O comentário não era isolado, o humor de Chris Rock, frequentemente acusado de ultrapassar limites em premiações e shows, já havia sido alvo de críticas, inclusive envolvendo o casal em anos anteriores. Ainda assim, o contexto daquela noite, com a exposição de uma condição de saúde, deu um peso maior à piada e ajudou a transformar o momento em algo muito além de um constrangimento passageiro.

Will subiu ao palco, deu um tapa em Chris Rock e, de volta ao seu lugar, exigiu aos gritos que o nome de sua esposa não fosse mencionado. A cena, transmitida ao vivo, dominou redes sociais e manchetes no mundo inteiro. Pouco depois, ele recebeu seu primeiro Oscar por “King Richard”. No dia seguinte, veio o pedido público de desculpas: “Eu estava fora de mim. Quero pedir desculpas a você, Chris”. Já o humorista reagiu com ironia: “Levei um tapa do cara mais famoso do mundo… e segui trabalhando”. As consequências foram rápidas, renúncia de Will à Academia, banimento de dez anos e uma espécie de “boicote” informal em Hollywood, com projetos pausados e estúdios adotando distância.

Nos anos seguintes, esse afastamento ficou evidente. Will Smith perdeu espaço em grandes produções e viu sua imagem, construída ao longo de décadas como um dos nomes mais carismáticos da indústria, sofrer um abalo que parecia definitivo. Ao mesmo tempo, iniciou uma reconstrução discreta, com aparições pontuais, investimentos em música e produção, e tentativas de reaproximação com o público. Já Chris Rock seguiu em alta: lançou especiais de stand-up, como “Selective Outrage”, fez turnês internacionais lotadas e reforçou sua posição como um dos principais comediantes em atividade, usando inclusive o episódio como parte de seu repertório.
A retomada de Will começou a ganhar forma em 2024 com “Bad Boys 4”, quarto filme da franquia, que marcou seu retorno aos grandes lançamentos e teve desempenho sólido, ultrapassando a marca de US$ 400 milhões em bilheteria mundial. Atualmente, ele desenvolve projetos como a sequência de “Eu Sou a Lenda 2” e novas produções pela Westbrook Studios. Ainda assim, o caso gera um debate importante. Pois em uma indústria historicamente marcada por desigualdades raciais, muitos apontam diferenças na forma como erros são tratados quando cometidos por homens negros em comparação a figuras brancas. No caso de Will, a queda foi abrupta, e a reconstrução, mais lenta e vigiada. O desafio agora é consolidar esse retorno e provar que sua trajetória pode ir além daquele momento que, por alguns minutos, quase deu fim a sua história em Hollywood.

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