O comentário não era isolado, o humor de Chris Rock, frequentemente acusado de ultrapassar limites em premiações e shows, já havia sido alvo de críticas, inclusive envolvendo o casal em anos anteriores. Ainda assim, o contexto daquela noite, com a exposição de uma condição de saúde, deu um peso maior à piada e ajudou a transformar o momento em algo muito além de um constrangimento passageiro.
Will subiu ao palco, deu um tapa em Chris Rock e, de volta ao seu lugar, exigiu aos gritos que o nome de sua esposa não fosse mencionado. A cena, transmitida ao vivo, dominou redes sociais e manchetes no mundo inteiro. Pouco depois, ele recebeu seu primeiro Oscar por “King Richard”. No dia seguinte, veio o pedido público de desculpas: “Eu estava fora de mim. Quero pedir desculpas a você, Chris”. Já o humorista reagiu com ironia: “Levei um tapa do cara mais famoso do mundo… e segui trabalhando”. As consequências foram rápidas, renúncia de Will à Academia, banimento de dez anos e uma espécie de “boicote” informal em Hollywood, com projetos pausados e estúdios adotando distância.
Nos anos seguintes, esse afastamento ficou evidente. Will Smith perdeu espaço em grandes produções e viu sua imagem, construída ao longo de décadas como um dos nomes mais carismáticos da indústria, sofrer um abalo que parecia definitivo. Ao mesmo tempo, iniciou uma reconstrução discreta, com aparições pontuais, investimentos em música e produção, e tentativas de reaproximação com o público. Já Chris Rock seguiu em alta: lançou especiais de stand-up, como “Selective Outrage”, fez turnês internacionais lotadas e reforçou sua posição como um dos principais comediantes em atividade, usando inclusive o episódio como parte de seu repertório.