Essa transformação ganha força no período pós-abolição e, principalmente, durante o Renascimento do Harlem, no início do século XX. O ato de se vestir deixa de ser apenas aparência e vira uma forma de expressão. Não se trata só de elegância, a alfaiataria bem construída, os detalhes pensados e a postura ajudam a construir uma imagem que confronta estereótipos e afirma novas possibilidades para a identidade negra.
É nesse contexto que a escritora Zora Neale Hurston, em 1934, no ensaio “The Characteristics of Negro Expression”, descreve o conceito de “dândi negro”, associando-o a homens que adotavam uma estética refinada como forma de expressão cultural. Com o tempo, o conceito se firmou como um movimento além da estética estética, ele se torna uma forma de existir no mundo. Revisitando a ideia clássica de dândi, ligada a figuras como Beau Brummell, homens negros transformam esse conceito em algo próprio. Cada escolha, do tecido ao corte, carrega significado, é uma maneira de reivindicar respeito e questionar desigualdades.