Cultura

Você sabia? O primeiro jornal negro do Brasil foi publicado há quase 200 anos

Criado em 1833 por Francisco de Paula Brito, “O Homem de Côr” defendia os direitos da população negra livre e denunciava a discriminação racial no Brasil escravocrata.
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Vinícius

Redator

Nacional

A imprensa cumpre um papel historicamente importante na sociedade. Documentar o que acontece no mundo é fundamental para compreender o presente e extremamente valioso para o futuro, uma responsabilidade que se torna ainda maior dependendo do contexto em que os veículos estão inseridos. Em 1833, o Brasil vivia os primeiros anos do Período Regencial, após a abdicação de D. Pedro I. Em uma sociedade escravocrata, marcada por profundas desigualdades raciais, pessoas negras livres também enfrentavam restrições no exercício da cidadania e no acesso a espaços de poder.
Foi nesse cenário que, em 14 de setembro de 1833, o tipógrafo, jornalista e livreiro Francisco de Paula Brito lançou, no Rio de Janeiro, o jornal “O Homem de Côr”, considerado pela Biblioteca Nacional o primeiro periódico brasileiro da imprensa negra. Publicado pela Typographia Fluminense, o jornal surgiu em meio à proliferação de pasquins de crítica política que acompanhou o início da Regência. Sua principal pauta era a defesa dos direitos da população negra livre e a denúncia da discriminação racial, especialmente das barreiras impostas ao acesso a cargos públicos.

O próprio cabeçalho das edições reproduzia um trecho da Constituição de 1824 que estabelecia que cidadãos poderiam ocupar cargos públicos sem outra diferença além de seus talentos e virtudes, colocando a legislação em contraste com as práticas discriminatórias da época. A partir da terceira edição, publicada em outubro, o periódico passou a se chamar “O Mulato, ou O Homem de Côr”. Sua trajetória, porém, foi curta, com apenas cinco edições publicadas, sendo a última lançada em 4 de novembro de 1833.
Mesmo com poucos meses de existência, “O Homem de Côr” abriu caminho para outros periódicos negros que surgiram ainda em 1833. A publicação de Paula Brito marcou o início de uma tradição de imprensa produzida por pessoas negras, uma história que continuaria ao longo dos séculos XIX, XX e XXI. A trajetória do periódico foi é objeto de pesquisa da historiadora Maria Isabela da Silva Gomes, que investigou e destacou a importância de “O Homem de Côr” nos debates sobre cidadania, raça na sociedade brasileira do século XIX.

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