Foi nesse cenário que, em 14 de setembro de 1833, o tipógrafo, jornalista e livreiro Francisco de Paula Brito lançou, no Rio de Janeiro, o jornal “O Homem de Côr”, considerado pela Biblioteca Nacional o primeiro periódico brasileiro da imprensa negra. Publicado pela Typographia Fluminense, o jornal surgiu em meio à proliferação de pasquins de crítica política que acompanhou o início da Regência. Sua principal pauta era a defesa dos direitos da população negra livre e a denúncia da discriminação racial, especialmente das barreiras impostas ao acesso a cargos públicos.
O próprio cabeçalho das edições reproduzia um trecho da Constituição de 1824 que estabelecia que cidadãos poderiam ocupar cargos públicos sem outra diferença além de seus talentos e virtudes, colocando a legislação em contraste com as práticas discriminatórias da época. A partir da terceira edição, publicada em outubro, o periódico passou a se chamar “O Mulato, ou O Homem de Côr”. Sua trajetória, porém, foi curta, com apenas cinco edições publicadas, sendo a última lançada em 4 de novembro de 1833.