Política

Seu rapper favorito se posicionou nessas eleições?

Artistas do rap brasileiro têm adotado diferentes posturas diante do cenário político, enquanto o gênero mantém uma relação histórica com pautas sociais e debates sobre desigualdade.
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Vinícius

Redator

Nacional

O Rap nasceu como expressão musical do movimento Hip-Hop, com influência dos sound systems jamaicanos, mas originário dos bairros periféricos de Nova York, nos Estados Unidos. Chegou ao Brasil na década de 80 e, novamente, se estabeleceu nas periferias, dessa vez na Grande São Paulo. Por aqui, o gênero ganhou rosto, classe social, cor de pele e causa.
Não se engane: o rap, assim como todos os gêneros musicais, não é partidário, mas ele tem, especialmente, uma ideologia muito bem definida. Nascido na periferia, com letras que denunciam injustiças sociais e reivindicam dignidade para os menos favorecidos, o gênero historicamente se aproxima de pautas associadas à esquerda. Isso não significa que todo rapper precise apoiar um partido, mas ajuda a explicar por que tantos artistas enxergam a posição política como definidora.

Em 2018, durante uma eleição marcada pela polarização, esse posicionamento estava nas ruas e também nas músicas. “Primavera Fascista”, lançada por Bocaum, Leoni, Adikto, Axant, Mary Jane, VK Mac e Dudu, atacava diretamente Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência. No mesmo segundo turno, “Lei Rua Neles” reuniu Coruja BC1, Akira Presidente, Black, Rod 3030 e Don L em uma faixa de forte conteúdo político e defesa da democracia.

Oito anos depois, alguns nomes daquela geração continuam se posicionando, mas o cenário mudou. Em 2026, Emicida, MC Marechal, Xamã, Ebony, AJULLIACOSTA, BK, TZ da Coronel, Dudu, Djonga e Froid estão entre os artistas que se posicionaram, inclusive manifestando apoio a candidatos de esquerda. Ao mesmo tempo, muitos dos novos nomes que chegaram rapidamente ao topo das paradas parecem menos dispostos a entrar no debate.
E talvez essa ausência diga tanto quanto uma declaração. À medida que o rap ganhou grandes palcos, público e espaço na indústria, também se afastou de parte dos ideais que moldaram sua identidade. Em uma eleição novamente polarizada, em que estão em disputa projetos políticos profundamente diferentes, fica a pergunta: seu rapper favorito se importa com o futuro do país onde você vive?

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