Moda

Primeira supermodelo negra da alta-costura, Mounia Orosemane volta às passarelas na semana de moda de paris

Aos 76 anos, Mounia Orosemane voltou às passarelas de Paris após quase quatro décadas longe da moda. Conheça a história da pioneira negra da alta-costura.
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Vinícius

Redator

Global

No último dia 28, a marca Matières Fécales apresentou sua coleção de verão 2027 na Place de la République, durante a Semana de Moda de Paris.

Com o desfile batizado de The Ninety Nine Percent, a dupla Hannah Rose Dalton e Steven Raj Bhaskaran levou à passarela 99 modelos não brancos, em uma apresentação dividida em três atos e pensada em torno de pessoas e grupos que historicamente ficaram à margem dos espaços de poder da moda.

Entre os nomes convidados para a apresentação estava Mounia Orosemane, uma das figuras negras mais importantes da história da alta-costura parisiense.
Aos 76 anos, a modelo martinicana apareceu no terceiro ato do desfile, dedicado à alta-costura, usando um longo vestido preto de grande volume.

Mounia estava longe das passarelas há décadas. Sua relação com a moda começou quase por acaso: enquanto trabalhava em um aeroporto em Paris, ela conheceu Hubert de Givenchy, que se interessou por sua aparência e a aproximou do universo da alta-costura.

Pouco depois, ela seria apresentada a Yves Saint Laurent, encontro que mudaria completamente sua carreira.

Mounia se tornou uma das musas de Saint Laurent e passou a desfilar para a grife durante as décadas de 1970 e 1980. Sua presença também ajudou a abrir espaço para outras mulheres negras em um mercado que ainda tinha pouca diversidade racial.

Ao longo da carreira, ela trabalhou com grandes nomes da moda, como Chanel, Mugler, Versace e Ungaro, além de ter sido fotografada por profissionais como Richard Avedon e Irving Penn. Depois de deixar as passarelas, Mounia se voltou para outras formas de expressão, se dedicando à pintura, música e a projetos sociais ligados ao Haiti.
Mounia acaba sendo uma representação perfeita da ideia por trás do desfile. Ela faz parte dos 99% que historicamente ficaram fora dos espaços de poder da moda, mas conseguiu atravessar essa barreira em uma época em que as oportunidades para modelos negras eram ainda mais restritas.

Ela não apenas furou uma bolha extremamente fechada, como também ajudou a criar caminhos para que outras mulheres negras pudessem aparecer depois dela.

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