Não se engane: o rap, assim como todos os gêneros musicais, não é partidário, mas ele tem, especialmente, uma ideologia muito bem definida. Nascido na periferia, com letras que denunciam injustiças sociais e reivindicam dignidade para os menos favorecidos, o gênero historicamente se aproxima de pautas associadas à esquerda. Isso não significa que todo rapper precise apoiar um partido, mas ajuda a explicar por que tantos artistas enxergam a posição política como definidora.
Em 2018, durante uma eleição marcada pela polarização, esse posicionamento estava nas ruas e também nas músicas. “Primavera Fascista”, lançada por Bocaum, Leoni, Adikto, Axant, Mary Jane, VK Mac e Dudu, atacava diretamente Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência. No mesmo segundo turno, “Lei Rua Neles” reuniu Coruja BC1, Akira Presidente, Black, Rod 3030 e Don L em uma faixa de forte conteúdo político e defesa da democracia.
Oito anos depois, alguns nomes daquela geração continuam se posicionando, mas o cenário mudou. Em 2026, Emicida, MC Marechal, Xamã, Ebony, AJULLIACOSTA, BK, TZ da Coronel, Dudu, Djonga e Froid estão entre os artistas que se posicionaram, inclusive manifestando apoio a candidatos de esquerda. Ao mesmo tempo, muitos dos novos nomes que chegaram rapidamente ao topo das paradas parecem menos dispostos a entrar no debate.