Você é conhecido por sempre denunciar os problemas de Salvador e mostrar a realidade que é pouco revelada para quem vem de fora, mas quem mora na cidade, sobretudo nas periferias, sabe que você, na verdade, está documentando um fato. Você sente que se romantizam muito a cidade?
R: Soa até um pouco engraçado, sabe? Já se passaram tantos anos e a gente continua tocando nesse assunto de uma forma caricata. É sempre “É a Bahia!”, é sempre aquela baianidade nagô. É como se tudo se resolvesse com o “jeitinho baiano”, que contrasta com o “jeitinho” brasileiro de ser. Às vezes, a gente cai num senso de ser até um pouco piegas com nossa própria história. Como se toda vez que fôssemos contundentes isso reduzisse nossa alegria, nossos momentos de exaltação e diversão.
Na etimologia da palavra, “vanguarda” significa enxergar tendências do futuro, estar na frente, puxar um movimento em direção à novidade. VANDAL é vanguarda na totalidade da palavra?
R: Eu acho que eu consegui transcender a etimologia da palavra, estamos vivendo uma revolução tecnológica. Tivemos a Revolução Industrial e agora a tecnológica, e o “VANGUARDAH” vem nessa ode à manufatura das coisas numa era de IAs e prompts, valorizando as coisas feitas com a mão, a fotografia real numa era que as capas estão sendo feitas de IA.
Por que você demorou mais de 10 anos para finalmente lançar seu primeiro disco?
R: Essa demora não foi exatamente minha, essa demora veio de acordo com o processo de vida que a gente tem, a gente sabe que, enquanto preto, temos que ir salvando as pessoas, tem que salvar os nossos. Eu fui tendo um pouco mais de alívio depois de ajudar muita gente, aí eu pude me dedicar porque o “VANGUARDAH” demandou uma situação financeira e um tempo de cabeça também, para que eu pudesse trabalhar melhor.
Em qual momento da sua carreira você enxerga o “VANGUARDAH”?
R: Vejo o “VANGUARDAH” nesse ponto de que precisava me dar esse alívio dentro dessa crença de que eu vou, sim, conseguir lançar meus próximos dois projetos. O “VANGUARDAH” vem no momento de encurtar os prazos, foram mais de 10 anos, mas eu quero lançar o próximo disco ano que vem e o terceiro no ano seguinte.
Você pode indicar três artistas que você ouve sempre na sua playlist?
R: Obviamente, eu sou bairrista, vou indicar três artistas que eu acho que têm um potencial absurdo.
A primeira é a Preta Chave, que eu tenho um carinho muito especial, a gente já fez algumas coisas, mas eu gosto muito dela.
Outro artista que eu quero citar é o Pivo Flor. Ele é um autodidata, com uma relação com a cidade muito absurda, ele capitaneia eventos e é muito talentoso.
E eu vou falar a terceira, e quando ela vir isso é para soar como um convite para meus próximos projetos, que é a Jadsa.