Cultura

Imperatriz levará à Sapucaí história real de boneca sagrada desaparecida por 30 anos

Enredo de Leandro Vieira será inspirado na trajetória de Dona Júlia, calunga ligada ao Maracatu Porto Rico que reapareceu após décadas cercada por relatos de espiritualidade e mistério.
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Vinícius

Redator

Nacional

O enredo da Imperatriz Leopoldinense para o Carnaval 2027 será “A memória do rei e o sumiço de Dona Júlia”, trama inspirada na história de uma calunga (boneca sagrada dos maracatus, ligada à ancestralidade e aos rituais espirituais afro-brasileiros) do Maracatu Porto Rico que desapareceu durante mais de três décadas em Pernambuco. Desenvolvido por Leandro Vieira, o desfile vai mergulhar nas tradições dos maracatus de baque virado, explorando religiosidade, ancestralidade e os ritos ligados à cultura afro-brasileira.
Dona Júlia foi esculpida para representar os axés espirituais do grupo e teria ligação simbólica com Dona Santa, figura histórica do maracatu pernambucano. Após desaparecer de um museu nos anos 1970, a boneca reapareceu apenas em 2014, quando foi entregue em um terreiro de Olinda por um estudante que dizia ser perseguido por acontecimentos sobrenaturais dentro de casa.
“Como enredo, ‘A memória do rei e o sumiço de dona Júlia’ amplia o olhar sobre as tradições dos maracatus de baque virado, revelando-as como espaços para a manutenção de ritos associados à coroação dos reis do Congo e às devoções particulares marcadas por aspectos espirituais, nem sempre tão bem difundidos, como o culto aos eguns e o encantamento dos objetos”, Leandro Vieira.

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