Cultura

Lima Barreto fez do subúrbio seu laboratório literário, detalha pesquisa da UFPR

Com base em crônicas do escritor carioca nascido há 145 anos, pesquisa do Programa de Pós-Graduação em História da UFPR relaciona a higienização promovida no Rio no início do século XX com a desesperança na vida periférica que suas
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Vinícius

Redator

Nacional

O escritor Lima Barreto transformou o subúrbio carioca em um dos principais cenários de sua obra literária, marcada por críticas sociais e reflexões sobre desigualdade, racismo e exclusão no Brasil do início do século XX. A relação do autor com esses territórios é tema de uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná (UFPR), conduzida pela pesquisadora Milena Dantas sob orientação do professor Andre Luiz Cavazzani.

A pesquisa analisa principalmente as crônicas de Lima Barreto, nascido há 145 anos, em 13 de maio de 1881. O estudo busca compreender como o escritor retratou o surgimento simbólico e social do subúrbio carioca após as reformas urbanas promovidas pelo prefeito Pereira Passos, período em que o Rio de Janeiro passou por um intenso processo de modernização e higienização urbana.

Segundo o trabalho do Programa de Pós-Graduação em História da UFPR, o subúrbio deixou de representar apenas uma região geográfica afastada do centro e passou a simbolizar abandono estatal, pobreza e exclusão social. O avanço da urbanização e da expansão ferroviária criou territórios ocupados principalmente por populações pobres, negras e recém-libertas da escravidão, realidade que Lima Barreto descreveu como o “refúgio dos infelizes”.
A pesquisa destaca que a visão crítica de Lima Barreto sobre o subúrbio refletia sua própria experiência como neto de pessoas escravizadas durante a República Velha. Para a pesquisadora Milena Dantas, as obras do escritor revelam um espaço em constante transformação, dividido entre antigas chácaras e a expansão urbana ligada aos trilhos do trem, evidenciando a crítica do autor a um projeto de modernização considerado autoritário e excludente.

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