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Lançada há 10 anos, “Insecure” abriu portas para novas histórias com protagonismo negro

Série criada por Issa Rae colocou mulheres negras no centro de narrativas sobre relacionamentos, carreira, amizade e amadurecimento.
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Vinícius

Redator

Global

A presença negra em grandes produções de TV e cinema sempre foi uma questão delicada. Por muito tempo, a representatividade esteve associada a personagens que pareciam ocupar o mesmo espaço, mantendo características, profissões, condições financeiras e conflitos semelhantes, como se uma única experiência pudesse representar toda uma população.

“Insecure”, criada por Issa Rae e Larry Wilmore, ajudou a ampliar esses horizontes ao colocar no centro da narrativa duas mulheres negras, Issa Dee e Molly Carter, vivendo dilemas profissionais, amorosos, sexuais e de amizade em Los Angeles. A série estreou em setembro de 2016 e, ao longo de cinco temporadas, mostrou personagens negras complexas, imperfeitas e distantes de estereótipos, falando sobre raça e racismo, mas também sobre assuntos universais como relacionamentos, carreira e amadurecimento.

O impacto de Insecure também aconteceu atrás das câmeras. A produção se tornou um espaço para profissionais negros exercerem diferentes funções, com nomes como Regina King e Kerry Washington dirigindo episódios, enquanto Natasha Rothwell escreveu vários capítulos. A série ainda acumulou 14 indicações ao Emmy durante sua trajetória e ajudou a consolidar Issa Rae como uma das vozes importantes na criação de histórias sobre pessoas negras.
Dez anos depois, porém, a própria Rae chama atenção para um possível retrocesso. Em 2026, ao falar sobre o cenário de Hollywood, ela afirmou que, apesar dos avanços da última década, a indústria estaria voltando a uma representação mais limitada, muito associada ao momento político não só dos EUA, mas a onda de conservadorismo no mundo inteiro. “De certa forma, voltamos ao ponto de partida, mas mais conscientes”, declarou. O legado de “Insecure” é justamente mostrar que não existe uma única forma de ser negro, a série deixou ainda mais evidente que um universo de narrativas surge quando a barreira racial é rompida.

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