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BIAB fala sobre processo criativo, R&B e novo álbum em entrevista à Lista Preta

Em conversa com a Lista Preta, cantora comenta processo criativo, referências à cultura carioca e os caminhos do R&B no Brasil, artista se apresenta neste sábado (7), no Sesc Madureira.
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Vinícius

Redator

Nacional

A cantora e compositora BIAB lançou em agosto seu álbum de estreia “BIA1B99”, trabalho que reúne 11 faixas e explora sonoridades como R&B, afrobeats, pop, MPB e rap. O projeto conta com participações de Yan Cloud, Carla Prata e Tshawtty, além de parcerias com produtores como Carlos do Complexo e Duda Raupp. Para celebrar a nova fase, a artista se apresenta neste sábado (7), às 15h, no Sesc Madureira, no Rio de Janeiro, com participações de Yan Cloud e YOÙN.
Em entrevista à Lista Preta, a cantora conversou sobre o processo criativo de “BIA1B99”, o amadurecimento musical e as referências que atravessam sua trajetória. Entre os assuntos, a artista falou sobre a busca por novas sonoridades e a vontade de construir um trabalho que dialogasse com diferentes gêneros, sem deixar de lado sua identidade artística.

Entrevista

Em 2021, você lançou o “Lado B”, um disco de R&B mais lento, com uma rotação diferente desse novo projeto. Como foi o processo até você chegar a esse som mais dançante do “BIA1B99”?

R: Então, eu sinto que realmente, no momento do “Lado B”, eu estava numa vibe um pouquinho mais calma mesmo. Eu acho que isso também tinha muita influência porque a maioria das minhas músicas eu fazia compondo com violão. Então, eu acho que isso guiou muito as produções. Eu puxava pra uma vibe que misturava R&B, mas também com uma pegada um pouco de MPB, sabe? “Desculpa Pra Te Ver”, né? Tem outras músicas que começaram numa pegada mais MPB e, com a produção, foram ficando um pouco mais pista. “Tá Louca”, por exemplo, eu escrevi no violão, assim. E, quando a gente produziu, ela ficou super pista. “Granada” também, tanto que eu fiz a “Granada” acústica, que foi como eu escrevi a música. Eu sinto que ainda tem um pouco dessas músicas no meu álbum novo, mas eu sentia muito essa necessidade também de estar na pista mesmo. E até nos rolês, assim, de curtir, ouvir meu som tocando na pista, sabe? Ver algum DJ tocando. E eu falava: “Mano, a maioria dessas músicas que tocam na pista são músicas um pouco mais pra cima”. Então, eu também fui trazendo, aos poucos, um pouco dessa versatilidade pra conseguir introduzir também pras pistas e tal.

Você foi uma das primeiras artistas brasileiras a cantar no projeto COLORS com a música “Pedra do Sal”. Como aconteceu o convite? A faixa já estava pronta quando ele chegou?

R: Cara, eu sou apaixonada por essa música, acho que pelo lugar afetivo, assim.

O convite veio de uma forma muito inesperada mesmo, porque eu recebi um e-mail do nada. Eu tinha acabado de lançar o “Lado B”, tipo, acho que tinha uns dois meses que eu tinha lançado, que foi meu primeiro EP também, né? Eu tinha lançado só alguns singles antes, que já eram parte desse projeto. E aí, uns dois meses depois, eu recebi um e-mail do COLORS, falando que eles estavam procurando alguns artistas brasileiros para gravar a próxima edição no Brasil, e eu tinha que mandar algumas demos para eles verem se eu entrava.

Só que eles falaram assim: “Você tem que mandar umas demos até amanhã”. E, nesse dia, como eu tinha acabado de lançar o projeto, eu não tinha demos, tá ligado? Eu não tinha nada.

Eu achei um rabisco nas minhas gravações do celular e aí fiz, no dia, metade da música de “Pedra do Sal”. Fiz como se fosse do início ao refrão.

Mandei para o Carlos, do Complexo, e falei: “Encaixa isso aí num beat”. O Carlos tinha um beat que era um remix que ele tinha feito de uma música da Cassie, “Me & U”. Ele tinha esse beat guardado e falou assim: “Cara, vê se encaixa aqui”.

O nome nem era “Pedra do Sal” ainda, porque eu não tinha escrito essa parte da música. Aí passou uns meses, eles falaram que gostaram muito da música e que era para eu estar pronta em duas semanas e levar a música pronta. Aí eu tive que terminar a música, a outra metade, porque eu estava assim, esperando, né? E eu não conseguia nem escrever. E foi isso, foi essa loucura.

Você é uma artista que frequentemente cita lugares e rolês do Rio de Janeiro nas letras e nos nomes das músicas. O quanto essa boemia carioca influencia na sua arte?

R: Olha, o Rio de Janeiro é uma cidade que, infelizmente, às vezes precisa dormir, mas não dorme. Eu confesso que sou um pouco inimiga do fim. Gosto da rua, de estar fora de casa, de cerveja, de sair. Por isso, quando fiz “Pedra do Sal”, eu tinha ido há pouco tempo à Pedra do Sal, estado lá no flerte, no rolê, num romance. Mano, foi inevitável mencionar a Pedra do Sal. Sinto que às vezes é inevitável falar de certos lugares. Nesse álbum, eu falo do Viaduto, por exemplo, que até gostaria de frequentar mais, mas, sempre que vou, me conecto muito.

Às vezes, vou com a minha mãe também, que é charmeira desde jovem. Conheci o charme a partir dela, da minha mãe, da família. Sinto que isso sempre precisa estar presente nas coisas que eu falo, porque não tem como não falar dos lugares. Quero, inclusive, ir a mais lugares para falar de outros lugares também. Talvez agora, que estou numa versão um pouco mais caseira, meu próximo projeto seja um pouquinho mais sobre casa. Mas acho que vai muito do momento que estou vivendo. Quando estava no processo desse álbum, estava vivendo horrores. Também tinha acabado de terminar um relacionamento.

Estava vivendo muito. Então, tem música que fala de término, de flerte e de novo romance. Acho que é realmente um espelho um pouco da minha vida. A única música que se difere um pouco disso é a faixa final, que eu trago numa outra versão.

Na última faixa do disco, “11”, você fala sobre tomar a frente e fazer as coisas sozinha. Isso também evidencia sua participação maior na produção de suas músicas?

R: Olha, eu acho forte dizer que produzi. Eu participo muito dos processos de produção. Na faixa “Sobrenatural”, eu e Pedro Amparo, que também é o diretor musical, colocamos nossos nomes na produção porque construímos a ideia. Mas, por exemplo, não gravamos os violões, tivemos nossos violonistas. Eu fiquei muito mais dentro do processo. Acho que antes talvez estivesse em um lugar um pouco mais passivo, sem tanto entendimento. Às vezes, você também não sabe dizer tanto o que gosta ou não, qual é aquele som que você pensa: “Pô, eu não gosto disso aqui”. Mas, ao mesmo tempo, não sabe explicar o que é.

É difícil também não ter tanto vocabulário para se comunicar com produtores, principalmente em ambientes que são sempre muito masculinos, com homens mais velhos. Eu também era muito jovem. Hoje, sinto uma independência um pouco maior e uma presença mais forte, com algumas responsabilidades dentro do próprio projeto e da produção. Acho que realmente estar usando o Ableton me ajudou muito no processo, principalmente a criar vocalmente, mais do que a produzir em si. Mas também abriu muitas portas e possibilidades para entender como usar minha voz e minhas técnicas. Acho que isso foi muito importante para esse processo.

O “Lado B” saiu em 2021 e o “BIA1B99” vem cinco anos depois. A cena do R&B mudou muito nesses anos. Qual avaliação você faz do momento do gênero no Brasil durante esses dois períodos?

R: Olha, eu sinto que hoje a gente fala mais sobre o R&B em si e traz essa comparação com o charme de alguma forma. O próprio fato de o R&B ter um nome tão americanizado, às vezes, afasta muitos públicos que escutam R&B sem saber que estão escutando R&B. Eu falo que canto R&B, alguém me pergunta, sei lá, uma pessoa um pouco mais velha: “Ah, eu canto charme”. “Ah, tá, entendi”. Eu tento trazer isso de alguma forma que agrupe mais pessoas, porque realmente sinto que, às vezes, a nomenclatura afasta.

Confesso que não me vejo só como uma artista de R&B, mas sinto que hoje se fala muito mais sobre o gênero. A própria chegada de playlists de R&B e Afrobeats é um exemplo. Quando lancei “Pedra do Sal”, ainda não tinha uma playlist de Afrobeats. Isso veio depois da treta do Orochi e do Teto. Às vezes, precisa ter alguma coisa no mainstream para acontecer: “Isso aqui aconteceu, o que é Afrobeats?”. Aí vão lá e criam uma playlist.

Sinto que isso tem surgido. Acho que o próprio Afropunk é um festival que tem trazido o R&B como uma frente muito forte, e isso tem ganhado alguns espaços. Ainda não está tão diferente, mas sinto que existe uma evolução. Acho que estamos realmente em busca desse processo de levar esse nome para um lugar mais forte.

Como somos o Lista Preta, queria que você listasse cinco artistas que não saem da sua playlist. É possível?

R: Tá, então vou colocar Destin Conrad, Billie Eilish, o Yan Cloud, porque estou escutando muito toda a discografia do homem. Viciada! A Sasha Keable e a Melly, tô sempre escutando Melly.

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