Em 2022, Beyoncé e Drake ajudaram a colocar novamente a música de pista no centro do pop. Com “Renaissance”, Beyoncé não apenas mergulhou no house, disco e dance, como também resgatou a história de mulheres negras e pessoas LGBTQIA+ que construíram a cultura dos clubes. No mesmo ano, Drake lançou “Honestly, Nevermind”, projeto inteiramente voltado à dance music, com referências ao house de Chicago e a outras vertentes negras.
Mas muito antes disso, artistas negras já trabalhavam essas sonoridades longe do centro do mainstream. FKA twigs transformou batidas de clube em experiências experimentais e performáticas, enquanto Kelela construiu, desde “Cut 4 Me” e “Take Me Apart”, uma ponte entre R&B, eletrônica, grime e drum’n’bass. Nos últimos anos, essa presença ganhou representantes.
PinkPantheress levou UK garage e drum’n’bass para uma nova geração, Rochelle Jordan aprofundou a conexão entre R&B e house em “Through the Wall”, lançado em 2025, e Amaarae fez de “Black Star” uma celebração da música dançante da diáspora negra, atravessando house, trance, amapiano e afrobeats, dando espaço para produtores do mundo inteiro, inclusive do Brasil.
E, mais recentemente, Tinashe parece sintetizar esse movimento. Depois de “Nasty” recolocá-la no centro da conversa pop, a cantora continuou refinando sua mistura de R&B, eletrônica e música de pista. Em “Popstar”, lançado no último dia 25, ela levou essa pesquisa ainda mais longe, explorando house, breakbeats e diferentes linguagens da música pop. O resultado foi recebido com entusiasmo pela critica especializada como a Pitchfork, que deu nota 9,0 ao álbum e o classificou como seu melhor e mais ousado trabalho até aqui.