“Dia de Oxalá”, com participação de Luellem de Castro, é a primeira música do disco e funciona como uma abertura de portal. A faixa conduz o início do álbum com calma e intenção, guiada pelo violão de Caio e por uma base que se constrói com discrição na produção de Léo Israel. Em seguida, “Ginga” traz o movimento e muda a pulsação sem romper o clima estabelecido. Já “Lótus”, construída com base em influências latinas, aprofunda o lado mais contemplativo do álbum, com interpretações precisas e pausas que dizem tanto quanto as notas.
No centro do disco, “Reticências”, com participação de Rashid, soa como uma conversa íntima. A flauta, somada ao violão e às linhas de guitarra e baixo, amplia essa sensação de troca e suspensão. Tanto “Reticências” quanto “Moçambique” já
haviam sido apresentadas como singles que antecederam o álbum, e agora ganham novo sentido dentro do conjunto, somando-se às demais faixas e ganhando peso dentro do projeto.
“Cavalo de Aço” traz uma das construções mais ricas do álbum, articulando percussões de matriz afro-brasileira com uma mistura de elementos eletrônicos e a base da canção como movimento contínuo. “Estrela Cadente” abre o campo melódico com a leveza característica da bossa nova, em uma composição romântica que se sustenta no detalhe. Em “Moçambique”, o saxofone conduz a faixa com naturalidade, enquanto “Valongo”, ao lado de Luana Karoo, encerra o álbum com um encontro de vozes e uma percussão que sustenta a trilha até o fim.
A progressão das faixas também apresenta momentos de respiro, como em “Mil Motivos” que revela um dos traços mais fortes do trabalho: a capacidade de sugerir sentimentos sem precisar explicá-los. É também dessa ideia que nasce o título do trabalho: “Nada fica fora do Lugar” é um trecho da letra de uma das músicas, ‘Valongo’, e me veio como título porque nesse disco a minha ideia foi revisitar minhas referências do passado e todos os símbolos que elas evocam, como ‘bate bola’ e ‘jongo’, ambos elementos da cultura afrobrasileira” — Comenta Caio